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quarta-feira, 13 de maio de 2020

ATIVIDADE - PORF CAMILA MIRANDA - 3º A e B REGULAR


















Olá, turma!
Vamos dar continuidade aos nossos estudos sobre o Futurismo



ATIVIDADES






Texto referente à atividade 1:


Ode triunfal

  à dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
tenho febre e escrevo.
escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
  ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
em fúria fora e dentro de mim,
por todos os meus nervos dissecados fora,
por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
de vos ouvir demasiadamente de perto,
e arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
de expressão de todas as minhas sensações,
com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
em febre e olhando os motores como a uma natureza tropical 


grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força —
canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
porque o presente é todo o passado e todo o futuro
e há platão e virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
só porque houve outrora e foram humanos virgílio e platão,
e pedaços do alexandre magno do século talvez cinquenta,
átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do ésquilo do século cem,
andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
 fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

 ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
ser completo como uma máquina!
poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
a todos os perfumes de óleos e calores e carvões
desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!
 [...]
  eia! e os rails e as casas de máquinas e a europa!
eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!
 galgar com tudo por cima de tudo! hup-lá!
 hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
hé-la! he-hô! h-o-o-o-o!
z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!
  ah não ser eu toda a gente e toda a parte!

 londres, 1914 — junho.

 (fernando pessoa, em poesia completa de álvaro de campos, 2007)




Atividade de Literatura EJA - 1º e 2º LULA e CAMILLA


Escola Estadual José Ribeiro Pamponet
Língua Portuguesa e Literatura
NOTURNO= TF 1º e 2º                     Professores: LULA e CAMILLA

Linguagem e contexto

Linguagem denotativa e linguagem conotativa
Ø DENOTAÇÃO – é o emprego da palavra em seu sentido objetivo ou literal.                       Ex: Sempre gostei de doce de leite.
Ø CONOTAÇÃO – é o emprego da palavra em seu sentido subjetivo ou figurado.                    Ex: Mônica é um doce de pessoa.


         FRANK &  ERNEST





                               Bob Thaves. Frank & Ernest. O Estado de São Paulo, 28 dez. 2010.
01. Na charge, os amigos Frank e Ernest estão sentados em um banco de uma praça, enquanto um senhor, ao lado deles, parece ler um jornal.

a) Quem seria esse senhor com o qual Frank inicia um diálogo? Esclareça sua resposta.
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b) Observe o nome do jornal: Wall St. Journal. Considerando as palavras do senhor, explique que relação há entre o nome do jornal e Wall Street.
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c) No texto, o que Frank queria saber quando disse ao senhor: “O topo dever ser solitário”?
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d) Como o homem entendeu as palavras ditas por Frank?
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02. Portanto, a palavra TOPO, no contexto, foi empregada com sentidos diferentes pelos interlocutores.
a) Na tira, qual das personagens utiliza a palavra TOPO com sentido objetivo, real ou literal? Justifique sua resposta.
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b) Explique por quem em “o TOPO deve ser solitário”, a palavra topo apresenta sentido subjetivo ou figurado.
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03. Escolha uma palavra da qual você goste. Escreva com ela duas frases: na primeira, empregue-a no sentido denotativo; na segunda, no sentido conotativo. Explique o significado da palavra em cada caso.
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 A expressão de opiniões


                



Linguagem Visual










                    Leitura de imagem
01. Essa imagem é um CARTUM, gênero de texto humorístico. Diferentemente da CHARGE, que destaca um fato específico e recente, o cartum se refere a situações universais que podem ocorrer  com pessoas diversas, em lugares diferentes.
a) Quem a personagem da esquerda simboliza?
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b) Como o cartunista sugere, pela expressão da personagem, a atração do computador sobre ela?
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02. No texto não há a linguagem verbal. Acompanhe as setas que orientam a leitura do cartum.
a) Como se pode interpretar a direção das setas?
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b) Com que objetivo o jovem utiliza o robô e sua atividade?
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03. A atividade do jovem é realizada a distância, e ele acompanha atento todo o movimento do robô.
a) em geral, como são construídos os castelos de cartas? Por quê?
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b) Em sua opinião, essa atividade continua a ter o mesmo significado, quando feita pelo computador? Justifique sua resposta?
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04. Ao criar esse texto, o cartunista teve uma intenção. Após observar atentamente a imagem, como você interpreta essa intenção?
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05. O grande desenvolvimento da tecnologia modificou o comportamento das pessoas, pois as inovações se tornaram mais baratas e acessíveis, possibilitando múltiplos usos. A tecnologia tem servido de modo positivo ao ser humano? Explique sua resposta.
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06. Como você observou no cartum, o personagem é um internauta jovem. Os jovens são os maiores consumidores desse mercado tecnológico. Por que isso acontece?

Atividade de Literatura / Turma: 1* Ano Integral


conto é um dos gêneros narrativos mais comuns na tradição literária brasileira. A seguir você lerá um conto de Clarice Lispector.

Felicidade Clandestina


        Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".

        Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
        Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
        Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
        Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
        No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte.
        Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.
        E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
        Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
        E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia.
        Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
        Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
        Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar ... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
        Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
        Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.
                                                                                 Clarice Lispector


Compreensão e Interpretação do texto

01.   Os três primeiros parágrafos formam a introdução do conto lido. Neles, são apresentadas as características das personagens da história.
a)     Quais são as personagens principais da história?
b)    Que aspectos dessas personagens são ressaltados?
02.   Embora a filha do dono de livraria não tivesse muitas qualidades, algo a fazia parecer superior aos olhos da narradora. O que era?
03.   Observe estes trechos do texto:
·         “Mas que talento tinha para a crueldade.”
·         “Ela toda era pura vingança.”
a)     Por que, na opinião da narradora, a outra menina tinha talento para a crueldade?
b)     Qual é a explicação da narradora para o ódio e o desejo de vingança da menina?
04.   A posse do livro “As reinações de Narizinho” possibilitou à menina exercer sobre a narradora uma “tortura chinesa”, num jogo infindável de promessas e mentiras.
a)     Que características da menina e da narradora se observam nessa relação?
b)     Que consequências físicas resultam dessa tortura para a narradora?
c)     Explique: Por que a narradora se submetia a esse jogo criado pela menina?
05.   Um dia, a mãe descobre o jogo que a menina vinha fazendo com a narradora.
a)     O que parece ter chocado mais a mãe nessa descoberta?
b)     O que a decisão da mãe representou para a narradora?
06.   Sobre os elementos do conto, responda:
a)     Tipo de narrador e foco narrativo:
b)     Onde acontecem os fatos narrados?
07.   O que gerou o conflito na narrativa?
08.   Quando ocorre o clímax da narrativa?
09.   Por que  a narradora fingia que não sabia  onde tinha guardado  o livro e depois “achava-o”?

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Atenção 1* Ano Integral!!!











As atividades devem ser respondidas no caderno!!!

ATIVIDADE DAS TURMAS 3º A e B (REGULAR) - PROF CAMILA MIRANDA

Olá, pessoal!

Hoje vamos dar prosseguimento aos nossos estudos referentes às Vanguardas Europeias. Vimos nos vídeos da atividade passada um pouco do que seria esse movimento vanguardista (à frente do seu tempo), trazendo propostas ousadas, que buscavam impactar a sociedade para chamar a atenção sobre diversos assuntos.
Começaremos por um movimento que traz consigo muitas discussões políticas e ideológicas, visto que, dentre outros fatores, o Futurismo “flertava” com formas de governo antidemocráticas, mas isso não quer dizer que os artistas futuristas eram todos fascistas, por exemplo, já que um movimento serve de inspiração e o artista tem a liberdade de “escolher” os pontos convergentes entre sua prática e o que o movimento propõe).
Então, vamos lá!


Realizem a leitura dos textos abaixo:

TEXTO 1

As vanguardas europeias configuraram uma época marcada por grandes movimentos artísticos e culturais iniciados na Europa a partir do século XX. As escolas serviram de inspiração em diversos segmentos das artes plásticas (literatura, pintura, escultura, etc.). A palavra Vanguarda surgiu do termo francês “avant-garde”, e significa a “guarda avançada” ou “o que marcha na frente”, que pressupõe, nesse contexto, ser um movimento pioneiro das Artes
Dessa forma, as vanguardas europeias derrubaram os paradigmas criados por outras tendências artísticas apresentadas durante o século XIX, pois o olhar dos artistas desse período era direcionado para o futuro.
O objetivo era introduzir na Arte o sentimento de libertação, inovação, a subjetividade e até mesmo um pouco de Irracionalismo. Dessa forma, o movimento provocou uma grande ruptura na tradição cultural dos anos anteriores. 
Nessa época, as vanguardas europeias que mais se destacaram foram: o Dadaísmo o Expressionismo, o Futurismo, o Surrealismo e o Cubismo. Todas elas unidas em um único propósito: a renovação da Arte tradicional

Futurismo

A grande expressão desse movimento foi a valorização dada às máquinas e às novas tecnologias nas principais obras artísticas, pois, o Futurismo surgiu em um período que a Europa vivenciava os impactos provocados pela Revolição Industrial. 
Como principal característica, o Futurismo tem caráter radical, utilizando os símbolos no lugar das palavras, rompendo com a gramática e defendendo a propaganda como ferramenta principal da comunicação.
  
TEXTO 2
MANIFESTO FUTURISTA (Publicado em 20 de Fevereiro de 1909, no jornal “Le Figaro”)

1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade.
2. A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos essenciais de nossa poesia.
3. A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco.
4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com o seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.
5. Nós queremos glorificar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada também numa corrida sobre o circuito da sua órbita.
6. É preciso que o poeta prodigalize com ardor, esforço e liberdade, para aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.
7. Não há mais beleza, a não ser na luta. Nenhuma obra que não tenha um carácter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças desconhecidas, para obrigá-las a prostrar-se diante do homem.
8. Nós estamos no promontório extremo dos séculos!… Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Já estamos vivendo no absoluto, pois já criamos a eterna velocidade omnipotente.
9. Queremos glorificar a guerra – única higiene do mundo –, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo pela mulher.
10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de toda a natureza, e combater o moralismo, o feminismo e toda a vileza oportunista e utilitária.
11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos as marés multicores e polifónicas das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor nocturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas lutas eléctricas; as estações esganadas, devoradoras de serpentes que fumam; as fábricas penduradas nas nuvens pelos fios contorcidos de suas fumaças; as pontes, semelhantes a ginastas gigantes que cavalgam os rios, faiscantes ao sol com um luzir de facas; os piróscafos aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de largo peito, que pateiam sobre os trilhos, como enormes cavalos de aço enleados de carros; e o voo rasante dos aviões, cuja hélice freme ao vento, como uma bandeira, e parece aplaudir como uma multidão entusiasta.

TEXTO 3
MANIFESTO TÉCNICO DA LITERATURA FUTURISTA
Em 11 de maio de 1912, Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944), publica em Milão, seu segundo manifesto: o Manifesto Técnico da Literatura Futurista; provavelmente o texto mais ousado das vanguardas europeias. Nenhum outro manifesto foi tão longe na tentativa de normatizar os métodos de composição de uma obra literária modernista. Resumidamente, temos:
Manifesto Técnico da Literatura Futurista
No aeroplano, sentado sobre o cilindro da gasolina, queimado o ventre da cabeça do aviador; senti a inanidade ridícula da velha sintaxe Herdade de Homero. Desejo furioso de libertar as palavras, tirando-as para fora da prisão do período latino! Este tem naturalmente, como cada imbecil, uma cabeça previdente, um ventre, duas pernas e dois pés chatos, mas não possuirá nunca duas asas. Apenas o necessário para caminhar, para correr um momento e fechar-se quase repentinamente bufando!...
Eis o que me disse a hélice em movimento, enquanto eu corria a duzentos metros sobre as possantes chaminés de Milão:
1. É preciso destruir a sintaxe, dispondo os substantivos ao acaso, como nascem.
2. Devemos empregar o verbo no infinitivo, para que se adapte elasticamente ao substantivo e não o submeta ao "eu" do escritor que observa ou imagina. O verbo no infinito pode, sozinho, dar o sentido de continuidade da vida e a elasticidade da intuição que a percebe.
3. Deve-se abolir o adjetivo, para que o substantivo, desnudo conserve a sua cor essencial. O adjetivo, tendo em si um caráter de esbatimento, é incompatível com a nossa visão dinâmica, uma vez que supõe uma parada, uma meditação.
4. Deve-se abolir o advérbio, velha fivela que une as palavras umas as outras. O advérbio conserva a frase numa fastidiosa unidade de tom.
5. Deve-se abolir a pontuação e a suprimir os elementos de comparação.
6. Façamos uso de símbolos matemáticos e musicais.

Definição

O Manifesto Futurista, de autoria do poeta italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876 - 1944), é publicado em Paris em 1909. Nesse primeiro de uma série de manifestos veiculados até 1924, Marinetti declara a raiz italiana da nova estética: "...queremos libertar esse país (a Itália) de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários". Falando da Itália para o mundo, o futurismo coloca-se contra o "passadismo" burguês e o tradicionalismo cultural.
À opressão do passado, o movimento opõe a glorificação do mundo moderno e da cidade industrial. A exaltação da máquina e da "beleza da velocidade", associada ao elogio da técnica e da ciência, torna-se emblemática da nova atitude estética e política. Uma outra sensibilidade, condicionada pela velocidade dos meios de comunicação, está na base das novas formas artísticas futuristas.
            Movimento de origem literária, o futurismo se expande com a adesão de um grupo de artistas reunidos em torno do Manifesto dos Pintores Futuristas e do Manifesto Técnico dos Pintores Futuristas (1910). A partir de então, se projeta como um movimento artístico mais amplo, que defende a experimentação técnica e estilística nas artes em geral, sem deixar de lado a intervenção e o debate político-ideológico. [...]
Dinamismo e simultaneidade são termos paradigmáticos da proposta futurista. [...] A forte politização do movimento é outro traço marcante e distintivo da arte futurista. A base ideológica do movimento é anticlerical - revelam os manifestos políticos lançados em 1909, 1911, 1913 e 1918 - e, em seguida, antissocialista, pela defesa da modernização da indústria e da agricultura, do irredentismo e de uma política exterior agressiva. As afinidades com o fascismo, entrevistas pelo nacionalismo e pela exaltação do ímpeto e da ação, se concretizam quando diversos membros do grupo aderem ao partido fascista. Em Futurismo e Fascismo (1924), Marinetti reúne discursos e relatos em que apresenta o futurismo como parceiro e precursor do fascismo.
As propostas futuristas impregnam diversas artes. Na música, o teórico, pintor e músico Russolo defende "a arte dos ruídos", pela criação de instrumentos que produzem surpreendente gama de sons (os "entoadores de ruídos"). Nas artes cênicas, o teatro sintético futurista (1915) prevê ações simultâneas que tomam o palco e a plateia. A ênfase na invenção cênica aparece nos posteriores Teatro da Surpresa (1922) e no Teatro Visionário (1929). As experiências futuristas com o cinema, por sua vez, acompanham o movimento a partir de 1915, e mobilizam Marinetti, Balla, entre outros (Vida Futurista, 1916). O cinema é visto como a nova forma de expressão artística que atenderia à necessidade de uma expressividade plural e múltipla, declara o manifesto Cinema Futurista (1916). A arquitetura visionária de A. Sant´Elia (1888 - 1916) é mais um exemplo da extensão do projeto futurista.
[...]
Os modernistas reunidos na Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, recebem imediatamente a alcunha de "futuristas" (configuram o chamado futurismo paulista), em virtude das propostas estéticas renovadoras e das intervenções estéticas de vanguarda. A consideração cuidadosa das obras de modernismo, entretanto, permite aferir a distância entre a vanguarda modernista brasileira e a italiana.

ANÁLISE DE OBRA FUTURISTA:

Em 1913 o futurista Umberto Boccioni escrevia para o crítico de arte e dono da Galleria Futurista de Roma e Nápoles, Giuseppe Sprovieri, sobre sua mais recente escultura, Formas Únicas de Continuidade no Espaço: “é o meu último trabalho, e o mais livre”, é também aquele que, no entendimento do artista, apresentaria todas as características necessárias a uma escultura verdadeiramente moderna.
Formas Únicas de Continuidade no Espaço é considerada desde então, por críticos, além do próprio artista, a síntese máxima da produção escultórica de Boccioni.
A figura humana, que parece caminhar, está representada em diferentes momentos simultaneamente. Apesar de originalmente construída em gesso, suas versões em bronze são as que predominantemente fazem parte de um inconsciente coletivo. O metal, rejeitado por Boccioni como possibilidade plástica, enfatiza a estética da máquina, cara à poética futurista, dando ainda mais suporte à interpretação da figura como uma espécie de soldado, hibrido de máquina e homem. No entanto é o gesso, aliado a ausência de braços que torna o corpo mais livre e induz o observador a focar nas saliências dessa figura levando a um maior percepção do movimento.
A escultura parece atingida por uma ventania, que fazendo força na direção contrária à marcha torna o movimento arrastado, ainda mais contínuo. Parte de uma série de formas humanas produzidas em gesso pelo artista entre os anos de 1912 e 1913 foi a única dessas esculturas a sobreviver ao tempo.

MAIS OBRAS FUTURISTAS:
 Dinamismo de um cão na coleira (1912), de Giacomo Balla, destaca o movimento das patas de um cão

Velocidade do Automóvel (1913), de Giacomo Balla

O Dinamismo de um Automóvel (1913), de Luigi Russolo

Retrato de Marinetti (1925) de Enrico Prampolini.

O Cavaleiro Vermelho (1913) de Carlo Carrá

Arranha-céus e túneis (1930) de Fortunato Depero

Referências:
ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos. Tradução Denise Bottmann, Frederico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

BRADBURY, Malcom & McFARLANE, James. Modernismo. Guia geral. Tradução Denise Bottmann. São Paulo: Cia. das Letras, 1998, 556 p.
CHILVERS, Ian (org.). Dicionário Oxford de arte. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
FABRIS, Annateresa. O Futurismo paulista: hipóteses para o estudo da chegada da vanguarda ao Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1994. (Estudos, 138).

LA NUOVA ENCICLOPEDIA DELL´ARTE GARZANTI. Milão: Garzanti Editore, 1986. 1112p. il. p&b, color


ATIVIDADE:
Em seus cadernos, produzam uma obra “Futurista”. Pode ser um desenho, uma colagem, um poema ou a tentativa de reescrever um dos manifestos que vimos acima; enfim, o importante é que sua manifestação artística tem de ter características que pertençam ao movimento futurista.